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MVP se refere ao termo em inglês Minimum Viable Product, que foi traduzido para o português como Produto Mínimo Viável. O termo está em circulação desde os anos 2000 e se refere àquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo Construir-Medir-Aprender com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento.

O MVP é 100% utilizável, é a versão de um produto, negócio, idéia ou solução com o mínimo de funcionalidades que resolverão um determinado problema. Durante o MVP são realizados os primeiros testes para descobrir se aquela ideia é uma solução de mercado provando a visão inicial e revelando se aquela boa ideia corresponde mesmo a um produto interessante (na vida real) ou se era apenas uma “expectativa utópica”, sem compromisso com a realidade

O problema é que algumas equipes não entendem o objetivo de um MVP. Um MVP não é apenas um produto feito pela metate, com vários recursos eliminados com a justificativa de lançar o produto mais cedo. O MVP não é algo que você constrói apenas uma vez e considera feito. Na verdade MVP nem é um produto, se trata de um processo que você repete várias vezes:

  • Identifique sua suposição mais arriscada;
  • Encontre o menor experimento possível para testar essa suposição;
  • Use os resultados do experimento para corrigir o curso.

“Sabe aquela velha história sobre um avião voando da Califórnia para o Havaí estar fora de curso 99% do tempo, mas constantemente corrigindo? O mesmo vale para startups de sucesso, exceto que elas podem começar indo em direção ao Alasca.” — Evan Williams

O importante é que, mesmo como um MVP, seu produto mantenha a proposta de valor central. Ou seja, por que aquele item é valioso e necessário para alguém? Quais são os problemas que ele resolve? Quais são os diferenciais de mercado perante as outras opções já existentes? Não importa se um item é um MVP ou não – esses valores devem ser mantidos para que o teste seja realmente eficiente.

Quando um produto é criado, são feitas muitas suposições. Você supõe que sabe o que os usuários estão procurando, como o design deve funcionar, qual estratégia de marketing usar, qual arquitetura funcionará com mais eficiência, qual estratégia de monetização o tornará sustentável e quais leis e regulamentos você deve cumprir. Não importa quão bom você seja, algumas de suas suposições estarão erradas. O problema é que você ainda não sabe quais. 

Ao contrário do desenvolvimento de produto tradicional, no qual geralmente há um longo período de incubação para que ele seja lançado no mercado, no MVP todo recurso, processo ou esforço que não contribui diretamente com a aprendizagem que se deseja obter é eliminado para que se possa começar a aprender o mais rápido possível.

É verdade que, por conta dessa redução àquilo que é essencial à proposta de valor do negócio, às vezes os MVPs podem ser percebidos pelos clientes como produtos “de baixa qualidade”. Porém, como afirma o próprio Eric Ries em seu livro a Startup Enxuta (Lean Startup), essa percepção também pode e deve ser usada como uma oportunidade de descobrir o que faz mais falta para os clientes.

“Isso não significa, no entanto, entregar para o cliente um produto mal feito. No Nubank, nós partimos do princípio de que o MVP precisa ter uma experiência minimamente agradável para o usuário.” Pedro Axelrud – Head de Produto da conta no Nubank

É importante ter em mente que o objetivo do MVP é ser apenas o primeiro passo em uma jornada de aprendizagem e não a etapa final dela, é uma versão mais “clean”, mais “enxuta” – mas que, no entanto, já é suficiente para resolver o problema para o qual foi desenvolvido. Um MVP que tenha 100% de todas características não é um MVP, é um produto completo.

Por isso, colocar o produto diante dos seus possíveis clientes para avaliar as suas reações é tão importante: além de perceber problemas técnicos é possível também testar hipóteses fundamentais do negócio.

O MVP é a versão mais simples e barata de um produto final, ajudando grandes ideias a serem validadas e se tornarem grandes negócios ou até mesmo serem descartadas, mas sem ter gasto muitos recursos.

Melhor demorar um tempão construindo algo sem saber o que o público realmente quer… Ou ir entregando produtos constantemente melhorados em curtos espaços de tempo? O MVP possibilita a segunda opção.

Com isso, ao término de cada ciclo de Construir-Medir-Aprender, é possível decidir mais cedo e com menos esforço se é possível seguir em frente com a estratégia original ou se é necessário pivotar.

Alguns times se vangloriam de ter criado 1000 funcionalidades para um produto, adicionando coisas que não necessariamente trazem melhoria. Às vezes, apenas toma mais tempo de desenvolvimento, tornando o produto menos utilizável.

Resumindo, um produto que é desenvolvido com base no que a equipe pensa que o usuário quer e não no que ele quer de verdade raramente atinge seus objetivos. Se pararmos para pensar, há vários produtos lançados por grandes marcas que demandaram um alto investimento, mas não tiveram o sucesso esperado.

“O MVP é o produto do tamanho certo para a empresa e seu cliente. É grande o suficiente para causar adoção, satisfação e vendas, mas não tão grande que seja inchado e arriscado(…).” Frank Robinson, CEO da consultoria SyncDev.

O MVP é muito ligado à metodologia de lean startup, que busca otimizar os ciclos de trabalho. Ao disponibilizar uma versão simplificada, com apenas algumas funcionalidades, é possível descobrir se o caminho que está sendo seguido é o mais adequado – pois só quando o produto estiver nas mãos dos clientes é que se sabe se ele funciona de verdade.

Case Waze : )

A tecnologia é algo realmente encantador. Como pode um simples aplicativo conectar tantas pessoas? Como pode um aplicativo que te permite se comunicar com alguém do outro lado do mundo em tempo real? Um aplicativo que te leve aonde você quer ir, informando sobre trânsito, atalhos, limites de velocidade e etc… Bom, nesse vídeo, o Embrulha Pra Viagem esclarece para você todas essas dúvidas.

Do thing have don’t scale! 

Quando você é uma pequena startup, não tenha medo de fazer coisas que não escalam. O dimensionamento é um bom problema, pois significa que você construiu algo que vale a pena dimensionar. No início estamos buscando o Market Fit, ou seja, atingir aderência do nosso produto ao mercado. Queremos testar! É a demanda e a necessidade que vai forçar nossa solução a escalar. Até chegar ao Market Fit nos vamos realmente fazer coisas que não dão escala. No início nosso objetivo principal é focar em retenção, deixando nossos usuários satisfeitos, mostrando qual é o nosso diferencial. Aos poucos vamos forçando mais e mais, com isso vamos ganhando mais escala, sempre tentando transformar o que é mais manual no MVP em algo automatizado. Dessa maneira nosso time ganha mais tempo e consequentemente faz mais coisas.  

Case Airbnb

O Airbnb é um exemplo clássico dessa técnica. Marketplaces são tão difíceis de pôr de pé que você pode esperar atos heróicos dos fundadores no começo da sua jornada. No caso do Airbnb, esses atos heróicos consistiam dos fundadores batendo de porta em porta em Nova York, recrutando novos donos de imóveis para a plataforma e melhorando os anúncios dos que já estavam nela.

Em um mundo de tentativa e erro, quem consegue encontrar os erros mais rápido vence. Algumas pessoas chamam essa filosofia de “fail fast” ou falhar rápido em português. No TripAdvisor, chamamos isso de “Vencedores de Velocidade”. Eric Ries chamou de Lean . Kent Beck e outros programadores o chamaram de Agile . Seja qual for o nome, o objetivo é descobrir quais de suas suposições estão erradas obtendo feedback sobre seu produto de usuários reais o mais rápido possível.

Conclusão!

Mas qual é o segredo do MVP em uma única frase? Criar com mínimo esforço uma solução para um problema identificado. Construindo um produto, escrevendo código ou criando um plano de marketing, é necessário sempre se fazer duas perguntas:

  • Qual é a minha suposição mais arriscada?
  • Qual é o menor experimento que posso fazer para testar essa suposição?

No mundo real o que vemos  é que quase metade startups passou meses ou até anos construindo um produto antes de descobrir que estava errada em sua suposição mais central: que alguém estava interessado naquele produto em primeiro lugar. Em um post-mortem de mais de 100 startups, a CB Insights descobriu que a causa número um de falha de startup (42% das vezes) era “sem necessidade de mercado”.

“Certamente não há nada tão inútil quanto fazer com grande eficiência o que não deveria ser feito”. Peter Drucker.

A única maneira de descobrir isso – a única maneira de testar suas suposições – é colocar seu produto na frente de usuários reais o mais rápido possível. E quando o fizer, muitas vezes descobrirá que precisa voltar à prancheta. Na verdade, você terá que voltar à prancheta não apenas uma vez, mas várias vezes.

Desde o dia um do MVP nós temos que entregar algo de valor para o cliente. O MVP é uma abordagem saudável. Mais do que corrigir os possíveis erros, o MVP tem uma coisa incrível, que é te ensinar o que o cliente quer de verdade, mostrando o que realmente é importante. Afinal, ninguém que investir em projetos e soluções sem antes saber se vai dar certo. Não é mesmo?

Referências:

Paulgraham
Endeavor
Nubank