Na última sexta-feira (20/06/2025), vivi mais um capítulo marcante da minha jornada profissional ao subir ao palco da Campus Party Brasil. E não foi só mais uma palestra. Foi uma troca intensa com cerca de 25 pessoas — entre curiosos, profissionais, entusiastas e, principalmente, com a presença carinhosa da minha família, que sempre apoia meus passos, inclusive os mais ousados.
Tive a honra de subir ao palco de um evento que fez parte da minha história lá atrás, quando tudo era novidade e eu ainda era apenas mais um campuseiro com a cabeça cheia de perguntas e o notebook no colo. Voltar agora como palestrante, com minha família presente, foi mais do que especial — foi simbólico. Uma volta ao ponto de partida, só que com a bagagem de mais de 20 anos de estrada.
A experiência foi intensa. Não apenas pelo conteúdo que compartilhei, mas pela simbologia de estar de volta a um palco que me inspirou tantos anos atrás, quando eu ainda era só mais um campuseiro curioso com um notebook no colo e o sonho de construir coisas úteis, humanas e transformadoras.
Um retorno com significado
A Campus Party foi, por muitos anos, o lugar onde a cultura maker, a inovação aberta e o entusiasmo por tecnologia se encontravam de forma genuína. Lá atrás, eu assistia palestras, participava de hackathons, me conectava com comunidades — e agora, pude devolver um pouco do que aprendi com minha própria perspectiva, marcada por mais de 20 anos na interseção entre design, dados e impacto.
Mais do que uma palestra, foi um manifesto. Um convite à reflexão: qual o verdadeiro papel do design quando o motor é a Inteligência Artificial?
O ponto central da palestra: Propósito
Em meio ao hype, automações e ferramentas generativas, voltar ao propósito se tornou o norte. Porque não basta criar um produto com IA — ele precisa resolver um problema real, com clareza, ética e impacto positivo.
Na palestra “Design + IA na prática: criando produtos com propósito”, compartilhei o framework Triple Diamond, um ciclo que organiza a jornada desde a descoberta do problema até a entrega de soluções com IA. E sempre guiado pelo design — como prática crítica, humana e iterativa.
Minha fala girou em torno de um conceito simples, mas poderoso: produtos com IA só fazem sentido se tiverem propósito. Isso significa:
- Resolver um problema real e validado
- Ser acessível, usável e desejado
- Estar alinhado à estratégia do negócio
- Ser tecnicamente viável, mas sem se curvar à tecnologia pela tecnologia
- Ser ético, transparente e justo
Para isso, compartilhei o framework Triple Diamond, um modelo de desenvolvimento que une design, estratégia e IA para guiar o ciclo de vida do produto desde a descoberta até a entrega com propósito.

Exploramos juntos:
- O que diferencia um produto com IA funcional de um produto com propósito
- Como mitigar os 5 grandes riscos de produto: Valor, Usabilidade, Negócio, Técnico e Ético
- O uso responsável da IA generativa — como ferramenta, não como solução mágica
- E as ferramentas invisíveis que todo designer precisa dominar: escuta ativa, síntese com intenção, diálogo crítico e empatia radical
Casos reais e aprendizados aplicáveis
Apresentei casos concretos do meu trabalho no Energisa Digital Labs, onde lidamos com produtos de dados em escala nacional. Exemplos como:
- VERA, uma plataforma de visão computacional que transforma o manejo da vegetação próxima a redes elétricas
- SisDrones, combinando IA e drones para inspeção automatizada de ativos
- ZCORE, que conecta insights de dados ao chão da operação
- E até um estudo sobre os caminhões autônomos em Carajás, refletindo sobre automação e humanidade
Cada caso reforça o mesmo ponto: a IA é poderosa, mas só gera impacto real quando nasce de um bom problema, passa por boas perguntas e termina em boas mãos.
IA é o motor. Design é o volante
Essa frase sintetiza a inquietação que me levou até aquele palco: Estamos investindo cada vez mais em IA, mas será que estamos desenhando produtos úteis, éticos e desejáveis?
Foi por isso que defendi o design com propósito. Não como acabamento ou rótulo bonito, mas como método – para ouvir melhor, criticar ideias, estruturar hipóteses e reduzir riscos.
Minha provocação foi direta: a tecnologia correu tanto que esqueceu de perguntar: pra quê? E pra quem?
Por isso defendo que o design – enquanto prática crítica, empática e construtiva – continue sendo o volante. Porque é ele quem:
- Traduz dados em decisões compreensíveis
- Garante que a IA não amplifique desigualdades
- Conecta as soluções à realidade de quem vai usá-las
Os cinco riscos que não podemos ignorar:
- Valor – quando não há um problema real validado
- Usabilidade – quando ninguém entende ou usa a solução
- Negócio – quando o produto não se conecta à estratégia
- Técnico – quando a tecnologia dita o rumo (e não o problema)
- Ético – quando o produto amplia desigualdades ou opacidades
Esses riscos são reais. E se não forem enfrentados, minam a legitimidade de qualquer iniciativa com IA.

O caminho não é uma Disneylândia
Finalizei com uma imagem metafórica (e realista): o caminho para construir um produto de IA com propósito não é uma estrada mágica que leva até um castelo encantado.
É uma trilha acidentada, com buracos, neblina e bifurcações. Tem o viés do dado, o ruído do ego, a pressão do executivo e a ansiedade do mercado por “qualquer coisa com IA”.
Mas é nesse cenário que o design ganha ainda mais importância. Com escuta ativa, diversidade de vozes e coragem para dizer “não” ao que não faz sentido, conseguimos criar produtos que entregam valor real — e não apenas tecnologia embalada com buzzwords.
Gratidão
Ver meus filhos e minha esposa na plateia foi o ponto mais emocionante. Me lembrou que, por trás de todo sistema, fluxo e modelo preditivo, existem pessoas. É por elas que projetamos. É com elas que devemos nos preocupar.
Agradeço à organização da Campus Party, ao meu time na Energisa e a todos que pararam para ouvir e pensar comigo.
Se você acredita que a IA precisa ser mais do que funcional — precisa ser humana, ética e transformadora, continue essa conversa comigo.
Um convite à ação

Essa experiência reforçou que não basta falar sobre inovação. Precisamos agir com consciência. Criar com intenção. Usar IA para transformar, e não só para impressionar.
Se você também acredita nisso, te convido a continuar essa conversa:
- Siga o DXPA Lab
- Marque uma mentoria comigo no ADPList
- Baixe o toolkit gratuito de Design com IA
E lembre-se da última frase da minha apresentação:
“Algoritmos não são produtos. Sem propósito, viram apenas quadros bonitos na parede.”